Amazonas firma acordo com mineradora, mas não consulta lideranças indígenas

O governo do Amazonas fechou acordo com uma mineradora canadense para realizar um inventário das potencialidades mineradoras na região do Alto Rio Negro, um dos locais mais preservados do planeta. Segundo o documento, a empresa Cosigo Resources pesquisará ouro e alumínio.

O acordo foi assinado entre a mineradora e a Secretaria Estadual de Povos Indígenas do Amazonas (Seind), com a intermediação da Secretaria de Estado de Mineração, Geodiversidade e Recursos Hídricos. Reportagem publicada dia 29 de agosto pelo jornal A Crítica, de Manaus, diz que a Cosigo tem nove propriedades requeridas no município de Japurá, localizado a 1,5 mil quilômetros de Manaus.

O principal problema desse acordo é que as lideranças indígenas da região não foram consultadas. Em uma carta divulgada dia 1º, a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) se diz indignada com o acordo.

A Foirn representa os interesses de 45 mil indígenas, distribuídos em 750 comunidades e 23 povos, distribuídos na região do Rio Negro. A organização diz o seguinte:

“O movimento indígena do rio Negro está perplexo e indignado com a atitude da SEIND, órgão governamental, em assumir uma posição favorável à exploração mineral nas Terras Indígenas, no estado do Amazonas e em especial, na região do rio Negro, quando essa temática em nível regional e nacional é problemática e encontra-se em debate acirrado inclusive aguardando a regulamentação da Constituição Federal (Art.231,§3 e Art.176,§ 1), pois impacta diretamente a sustentabilidade socioambiental dos povos indígenas”.

Segundo o Instituto Socioambiental, a Foirn expressa sua indignação ao fato de a Seind considerar a exploração mineral na região do Rio Negro uma possibilidade de melhoria da vida dos povos indígenas e lembra que a região sofreu com a atividade de extração de ouro nas décadas de 1980 e 1990 por duas empresas de mineração, que terminaram expulsas pelo movimento indígena. A carta alerta para o fato de que as lideranças que assinaram o acordo sequer são representantes das associações de base. E que representam apenas seus próprios interesses.

O histórico da Consigo não é bom na América do Sul. Na Colômbia, a empresa é acusada de provocar conflito com as comunidades indígenas e explorar ouro em território sagrado.

_________________________________________________________________________________

Na foto, Serra da Bela Adormecida, no Alto Rio Negro, Amazonas. © Tatiana Cardeal
_________________________________________________________________________________

Os comentários estão fechados.

  • ▪ Contatos

    11 3798-1230
    contato@papelsocial.com
    -
    Rua João Ramalho, 136
    Perdizes, São Paulo - SP
    05008-000

  • Política de privacidade:

    A Papel Social Comunicação respeita a sua privacidade. Todas as informações pessoais que você fornecer para nós, incluindo nome, apelido, endereço, telefone e e-mail, não serão cedidas, vendidas ou alugadas a quaisquer organizações ou pessoas.
  • © 2012 Papel Social Comunicação.

    Todos os direitos reservados. All rights reserved.
    Para reprodução de trechos dos textos, artigos e fotos é preciso citar o autor e o nome da Papel Social. Para reprodução em outros sites, basta dar o crédito e o link da página original da qual foi retirada o texto e a imagem, porém as imagens não podem ser publicadas fora do contexto em que foram utilizadas neste site, ou separadas do texto original.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 56 other followers